Por um conceito integrador para a Inovação


Sempre que iniciamos qualquer disciplina na ênfase Negócios Tecnológicos da ECT-UFRN, uma questão atroz toma conta das conversas acadêmicas: qual é o conceito, digamos assim, mais interessante para inovação? É uma pergunta simples que parece pedir uma resposta trivial. Ledo engano, jovens inovadores…


Se percorrermos a “bíblia” mundial dos conceitos relativos à inovação, o Manual de Oslo, encontraremos quatro dedicados ao tema: de produto, de processo, organizacional e de marketing. A Wikipedia acrescenta um a este elenco: inovação afetiva, aquela que melhora relações entre pessoas! Sites mundo afora diversificam ainda mais: de serviço, de modelo de negócio, tecnológica, logística e por aí vai. O professor Silvio Meira fala em seus discursos que “inovação refere-se ao ato de criar mais e melhores notas fiscais”. E a coisa não para na horizontal. Ainda existem as vertentes verticais: Incremental, Frugal, Radical e de Ruptura, que indicam, respectivamente, inovação por melhoramento, por redução de custo, que promovem mudança de cenário ou que escalam a ponto de criar nichos. Ou seja: você tem o direito de incluir nesta lista seu próprio conceito. Entretanto, carregar muitas variações de uma mesma definição não é prático, principalmente para quem, como eu, gosta de levar na cabeça apenas o princípio funcional das coisas, pois dessa forma posso construir outros conceitos em cima.


Em minha óptica “O mundo será um lugar justo quando as palavras ‘Sociedade’ e ‘Mercado’ forem utilizadas como sinônimos”, frase que sustenta minha Hipótese da Máxima Inclusão Social, pois quem estiver fora do Mercado estará fora da Sociedade. E por que trazer esses conceitos para uma AC em que se pretende conceituar inovação? Porque o Mercado - que alternarei com Sociedade -, é o único ente autorizado a atribuir o brevê “inovação” a um resultado.


Inspiração para um conceito universal


Em seu artigo de 1988, Managing Invention and Innovation, o professor Edward B. Roberts do MIT coloca um belo e sintético conceito na página 13:


Innovation = Invention + Exploitation (Eq #01).


Em português não existe uma tradução livre para exploitation, mas podemos dizer que se refere a uma exploração benéfica, quando se explora algo de forma sustentável. Embora de uma elegância sem precedentes - pois pela primeira vez se estabelecia o conceito de inovação em uma única e simples equação -, ela continha uma falha: a operação de adição. Bill Aulet, também professor no MIT, desenvolveu mais tarde (2013) outra versão, com o intuito de corrigir essa incompletude. Segundo ele, a inovação precisa simultaneamente desses dois fatores para existir. Inventar sem explorar ou explorar uma não-invenção não poderiam configurar inovação, coisa que a equação de Edward permitia. Pensando assim, Bill trocou a operação de adição pela multiplicação, e exploração por um termo mais mercadológico. O conceito ganhou uma nova amplitude:


Innovation = Invention ✳ Commercialization (Eq #02).


A Eq #02 determina, inequivocamente, que sem invenção não há inovação e determina, ao mesmo tempo, que ela acontece no Mercado, elemento que a Eq #01 podia dispensar. Se a equação de Edward já era belíssima, o que dizer da de Bill?


Um conto a mais


Dez anos depois (1998), Philip Kotler, um dos gurus da administração moderna, populariza o conceito de inovação como sendo o valor percebido pelo cliente, significando o “resultado da diferença entre o valor total esperado e o custo total envolvido na transação”. Desse modo, “se o consumidor considerar que o valor recebido foi maior que o esperado, ele ficará satisfeito com a aquisição; porém se o resultado for negativo ocorrerá o sentimento de frustração”. Posso expandir então para:


Inovação = valor percebido pelo Mercado (Eq #03).


Uma primeira tentativa de universalização


Utilizando os vários conceitos listados no começo desta AC, misturando-os às equações #01, #02 e #03 e considerando o que sugere Kotler, não é difícil concluir que a inovação é uma invenção que chega ao Mercado e faz sucesso! Posso também pressupor que uma invenção não conseguirá sair da bancada do(a) inventor(a) e seguir o “caminho da rua” com o propósito de ser comercializada, se seu criador(a) não empreender ou não orientar alguém a fazê-lo. Então bolei o seguinte:


Inovação = Invenção ✳ Empreendedorismo (Eq #04),


na qual o termo “Empreendedorismo” se ocuparia de validar, verificar, explorar, comercializar ou encaixar algo no Mercado, transformando uma potencial invenção em uma inovação. Uma expressão que também poderia se enquadrar como um conceito para empreendedorismo-inovador. Ficou massa, né não? Mas algo ainda estava faltando…


E se Einstein estivesse só em uma ilha?


Pensamento que sempre me ocorre, quando quero exemplificar inovação. Imagine se o Sábio Albert tivesse bolado as equações da relatividade, descrito o efeito fotoelétrico, movimento Browniano etc., e não tivesse como contar para alguém, não pudesse tornar qualquer uma de suas invenções disponíveis? Só para resumir a parada, nenhum GPS funcionaria corretamente até hoje. Mesmo que ele fosse um empreendedor tenaz, não teria como transformar seus inventos em produtos. Sem GPS, nunca poderíamos achar nem o próprio Albert! Ou seja: mesmo existindo invenções e um espírito empreendedor, nada do que Albert fizesse seria percebido como inovação, pois não haveria observadores. Tais ilações me levaram a esse trade 0ff: é necessário deixar disponível o que se cria, para que ganhe o status de inovação; conceito que também casa com inovação aberta.


Juntando tudo…


Juntei todos estes conceitos e percebi que ainda faltava contemplar o pessoal que se autodenomina intraempreendedor, os servidores públicos, cujas carreiras complicam por demais a ação de comercializar qualquer coisa; a galera que trabalha soluções sociais e têm ojeriza a tudo que lembre a palavra Mercado e, por último, considerei as pessoas que não se aceitam inventoras. Utilizei por base a Eq #02 e busquei por termos amplos, nos quais coubessem tudo que se relacionasse com trabalho mental e sua respectiva propagação. Cheguei à equação #05:


Inovação = Criatividade ✳ Disponibilização (Eq #05).


Em síntese: qualquer processo criativo que não seja disponibilizado ou algo proporcionado sem novidade, não produzirá a inovação que proponho na equação.


Aplicando: exercício de fixação!


Admita que no leque “Criatividade” caibam conceitos como imaginação, invenção, novidade, educação, escola, cultura, brainstorming e por aí vai. Já na parcela “Disponibilização”, aceite colocar termos como comércio, indústria, marketing, mostra, Mercado etc., e o que a imaginação achar que combina com visível… com algo “percebível”! Imagine, por exemplo, a tríplice hélice assim reescrita:


Inovação = Escola ✳ Mercado (Eq #06),


de modo que o termo “Escola” represente qualquer tipo de ensino-aprendizagem com processos criadores, claro, assim como todas as instâncias da educação (do ensino fundamental à universidade, passando pelo homeschooling). No termo “Mercado” estariam ao fundo a sociedade, o empreendedorismo, a indústria, o varejo, problemas sociais etc. O símbolo (✳), claro, não é apenas uma multiplicação, mas um processo complexo de complementaridade entre as parcelas envolvidas. Na Eq #06 este símbolo poderia conter normas editadas pelo .GOV, ou outro ente regulador, por exemplo.


Finalizando…


Einstein tentou unificar vários conceitos. Tentei o mesmo com a Eq #05. Obter sucesso nessa empreitada é o que menos me importou. Quis apenas passar a mensagem de que se qualquer vivente conseguir criar algo novo e torná-lo disponível, viável, perceptível, melhorando algo ou a vida de alguém, estará inovando. Ou seja: a Eq #05 agrada aos gregos e troianos; aos servidores públicos, profissionais do setor privado, ecologistas, ONGs e até a galera das sociais, pois no termo “Disponibilização” poderá caber, ou não, o vil metal. Mostrei também que a Eq #05 comporta 1001 maneiras de se escrever a inovação. Portanto, invente a sua, disponibilize-a e seja um(a) inovador(a).


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