O Dilema da startup


Comecemos com o conceito de inovação de ruptura, cujo berço está da frase do professor Clayton Christensen, guru da inovação:


“Transformar o difícil em fácil e o caro em barato. Descobrir necessidades e inventar produtos e serviços que as supram ou que facilitem a vida das pessoas. É disso que se trata a inovação de ruptura (disruptive innovation)”.


Estes, e outros conceitos, estão em seu livro “O dilema do inovador'’, hipótese projetada para explicar o fenômeno psicológico e econômico em relação às inovações disruptivas, aquela que cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam, tornando os antigos produtos ou serviços obsoletos. Logo, a disrupção cria novos Mercados. Um exemplo recorrente é a Internet, que vem eliminando os canais físicos de relacionamento e transformando-os em digitais (pelo menos no comércio).


Descendo um pouco o patamar disruptivo, Christensen fala sobre Inovação Radical. Esta pode ser caracterizada por uma mudança abrupta de direção do Mercado. Implicam na substituição de processos, serviços etc., porém mantém, praticamente, um mesmo público. O carro elétrico, por exemplo, basicamente mudará os motores dos carros, mas não criará motoristas. De fato, a linha é tênue entre inovações radicais e de ruptura.


Por último, temos a inovação do dia-a-dia: a Incremental. Esta tem por objetivo otimizar ou desenvolver melhorias em produtos, serviços ou processos existentes, de modo a gerar impacto expressivo no Mercado. Friso “impacto” para deixar explícito que não se trata de melhoria contínua de processos, mas uma mudança capaz de mudar hábitos de consumidores. O trabalho remoto, por exemplo, foi responsável por levar a sala de muita gente da empresa para a casa. O impacto se deu mais na postura do trabalhador do que no ofício em si, pois se pode trabalhar com um PC em qualquer lugar, desde que se tenha maturidade profissional para isso.


A necessidade de promover inovação já está mais do que evidente. Então, por que falar sobre seus tipos, já que temos de implementá-las? Por envolver riscos financeiros e emocionais diferentes, é necessário saber quem pode (ou deve) e qual caminho tomar para se implementar cada uma delas. Será que dá para colocar os conceitos de Christensen num desenho? É o que vou tentar fazer.


O problema define o Mercado, que define nossas vidas


Schumpeter, o economista da Destruição Criativa, deixou claro já nos idos de 1942, que os novos negócios destruiriam os velhos. Avançando um pouco mais, já próximo a 1990, Klaus Schwab, o do Fórum Mundial, ponderou: “Estamos saindo de um mundo no qual os grande engoliam os pequenos para um mundo em que os rápidos comem os lentos”. E para finalizar as citações, somo a estas a de um antigo CEO de GM, Jack Welch: “Quando o ritmo de mudança dentro da empresa for ultrapassado pelo ritmo da mudança fora dela, o fim está próximo”. Onde eu quero chegar, parafraseando o filme da Pixar, “Up, altas aventuras!”: “A aventura está lá fora!”. Tudo, portanto, gira em torno de mudanças, as quais são promovidas por faltas, falhas ou desejos, que podem ser resumidas como necessidades. Assim, se tomo este conceito como sendo o de Mercado, posso, em uma frase curta, definir nicho mercadológico como sendo “um aglomerado de pessoas com necessidades similares não atendidas”. Massa, né não?


Inside-out e Outside-in


Em Abstração (des)estruturada: a fonte para inovações de ruptura! (Parte I) mostro duas abordagens para a geração de inovação: os caminhos reativo e proativo. Quando o cliente (Mercado) aponta uma necessidade, ou seja, o processo se dá de fora para dentro da empresa (outside-in), esta reage tentando contemplar uma falha ou falta; forma reativa. De outro modo, quando uma empresa se inspira a ponto de criar uma solução para um problema ainda inexistente, (inside-out), ela gera potencial para criação de novos nichos mercadológicos. Se for uma startup, poderá derrubar empresas consolidadas. Chamo esta forma de proativa. Como sempre, fiz um desenho bacana para deixar mais clara minha proposição.

Desenho bacana de minha proposição


Os riscos financeiros, emocionais e de brand (afinal, aquilo que o Mercado dá, ele também tira, uma marca), definem quem pode fazer a inovação de ruptura sem medo de ter o nome manchado e ainda com baixos riscos emocionais: as startups. E é o que se observa no Mercado. Então, GBB-San, inovadoramente falando, as grandes empresas não rompem mais nada. Sim, elas o fazem: observam e compram as startups que acertam. Respondi, portanto, quem deve se meter com disrupções.


Qual a proposta de valor de uma startup?


Na aula condensada A maior das barreiras de entrada, deixo claro que, para uma startup, a maior barreira não é, ironicamente, o Mercado, mas sim não saber ser (ou se comportar como) uma startup. Naquela AC, escrevi um dossiê com 06 itens mínimos necessários para que vosso empreendimento se enquadre na categoria mais amada pelos arranjos produtivos tecnológicos, a qual é tida como semente da transformação mercadológica do mundo, cujo termo remonta ao Silicon Valley. Juntando aqueles itens (que acho que você não vai ler, mesmo), vou resumir no que eu entendo como sendo a proposta de valor de uma startup, seu principal objetivo. Você sabe qual é? Tempo…. Errou se pensou só nos termos inovar, criar Mercado, aprimorar produtos, escalar, riscos, incertezas etc., pois tudo isto são apenas consequências. O coração de uma startup bate apenas por uma única coisa: produzir um MVP.


Sigla para Minimum Viable Product, pode ser explicado como “o ato de produzir um novo produto ou serviço funcional com o menor investimento possível, para testar o negócio antes de serem aportados grandes investimentos”. Trabalhei este conceito há quase 03 anos, na AC Em tempos de startup, como definimos um produto?


O dilema das startups resumido a um desenho


Agora que sabemos o papel do MVP, podemos desenvolver um caminho prático e orientado à startup para entender como se dá uma inovação incremental ou radical, já que compreender isso é o primeiro passo para se conseguir implementá-las e até mesmo compreender as disrupções. Utilizando termos próprios desse ambiente, fiz um desenho colorido com os caminhos incremental e radical. A figura é autoexplicativa: se uma mudança é suficiente para fazer com que uma startup se mexa na direção de criar uma solução (MVP), a inovação gerada tenderá a ser incremental, pois poderá ser confundida com uma demanda. Quando o espaço criativo trabalha para criar algo que ainda não existe e o molda no formato de um MVP inédito, o aceite do Mercado tenderá a batizá-lo de inovação radical, pois gerará novos hábitos de consumo. Em ambos os casos, a linha de encaixe determinará o sucesso e enquadramento do MVP. Por fim, no sentido inside-out, se uma proposta de valor nova é gerada, burlando todos os modelos de negócios elaborados, não se encaixando no previsto e começando a fomentar um novo nicho no qual necessidades não foram de antemão previstas, está-se diante de uma ruptura. Qual caminho seguir? Esse é o dilema a ser resolvido por sua equipe com a ajuda - ou atropelo - do Mercado.

Desenho colorido com os caminhos incremental e radical


Finalizando…


As empresas que trabalham constantemente desenvolvendo inovações incrementais são as que possuem maiores chances de fomentar inovações radicais. Estas só poderão alcançar o status de disrupção se o Mercado assim o fizer. Portanto, não há como se buscar disrupções partindo de modelos. São factuais. Pode-se, entretanto, chegar a uma conclusão: o Mercado é quem dirige as inovações e estas as nossas vidas, não importa o que digam outros setores da sociedade. Gostemos ou não, as empresas terão de rodar, daqui para frente, no modo radical ou incremental, caso queiram sobreviver. Alcançar uma disrupção será um feito aleatório. Não se cobrem por isto.


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