Desenvolvendo futuros incrementais e disruptivos


Se eu dissesse que seria uma AC sobre prever futuros incrementais (tendências) ou disruptivos (“Nostradâmicos”), estaria mentindo, assim como qualquer um que seja intitulado, ou se auto-intitule, futurista ou visionário! Ninguém sabe o que vai acontecer e ponto final!


Em aspectos futuristas, gosto muito de aplicar o que eu chamo de Muro de Drucker: “A melhor forma de prever o futuro é criá-lo”, diria o guru da administração! Ou seja, tentar olhar o que tem do outro lado através de um muro é impossível; mas o que separa você de um futuro que está logo ali, ou mais distante, pode estar nas ferramentas que você tem em mãos, aquelas que sejam capazes de te ajudar a construir uma boa escada para apoiar no muro. Não garanto que você, ao subi-la, vá enxergar muita coisa além. Entretanto, posso afirmar que poderá olhar para trás e - já que tem uma vantagem em altura - saber o que muita gente anda fazendo e, com base nessa olhadela em horizonte passado, construir algo novo… Erigir um futuro viável. Nesta AC, varrerei as ferramentas de futuro que já apresentei por estas bandas e mostrarei uma nova abordagem, dando dicas de como construir uma boa escada. Ao terminar a leitura desta AC pragmaticamente futurista (no sentido de montar futuros), você será capaz de olhar de cima do muro e saber, pelo menos, o que não deve ser feito. Portanto, recomendo que chegue até o futuro desta AC, que está uns 5 minutinhos adiante.


Olhando “escadas” passadas


Já apresentamos para vocês o canvas especulativo 9W, ferramenta preferida entre 11 de 10 pessoas que têm contato com ela; como os sistemas evoluem por meio de meta-padrões; listamos modelos estatísticos baseados em 0.9, os quais determinam até onde uma empresa, startup, cidade, ser vivente pode crescer; apontamos tendências científicas de última geração que se modificam em tempo real; como tudo está caminhando da posse para o acesso, e até diagramas baseados em KPIs e OKRs que mostram onde se está, os pontos fracos e para onde se deve ir, quando o assunto é transformação digital. A leitura destas ACs vale a pena, mas vou parar por aqui, pois as “escadas” passadas mostram como progredir em futuros incrementais. A ideia de hoje é ir além: utilizar a 9W para esquematizar futuros disruptivos.


Caos, correlação e aleatoriedade


Para entender sobre criação de futuros, é importante compreender os conceitos de caos, correlação e aleatoriedade. Estes dois últimos são mais simples. Como mostrado na AC Carro intolerante a baunilha e o conto da correlação, a correlação retratada “... dependência ou associação, é qualquer relação estatística (causal ou não causal) entre duas variáveis. É qualquer relação dentro de uma ampla classe de relações estatísticas que envolva dependência entre duas variáveis. Embora seja comumente denotada como a medida de relação entre duas variáveis aleatórias, correlação não implica causalidade. Em alguns casos, a correlação não identifica dependência entre as variáveis”. Já a aleatoriedade está associada a eventos ao acaso, imprevisíveis, arbitrários ou incertos. Não há como desenvolver modelos. Acontecem quando querem e pronto. Sobrou então o mais interessante, o Caos. Este é top! Como mostrado na AC Domando a natureza caótica da Inovação ele é - imaginem só!!! -, determinístico! Uiaaaaaaaaaa! Como assim?


Todo sistema que depende fortemente das condições iniciais de suas variáveis, e é muito sensível a elas, é um sistema caótico. Ou seja: se eu conseguir replicar a força, posição e o lugar em que eu arremessarei um determinado dado (aquele poliedro de seis faces, tá legal?!), e admitindo que o ar esteja do mesmo jeito, ele sempre cairá com a mesma face para cima. Ou seja, a posição final do dado é uma variável que depende exclusivamente das condições iniciais. É, portanto, muito difícil de replicar, a ponto de parecer aleatório, mas não impossível. Assim é o Mercado. Se ao montar uma startup eu tiver condições de juntar a maior quantidade - com qualidade, óbvio - de informações, eu aproximo cada vez mais minha solução do alvo, por isto tipos e quantidades de pesquisas de Mercado são tão importantes. Aprendamos juntos, então: o Mercado não é aleatório; é um ente caótico; trocando em NFTs, ele é determinístico e, portanto, incrivelmente, PREVISÍVEL! Massa, né não? Onde eu quero chegar: dá para criar futuros disruptivos partindo de tendências, os futuros incrementais.


Por onde começar: uma semente de futuro!


Como você trabalha, ou melhor, especula futuros, GBB-San? Bom, eu gosto de seguir umas regrinhas. Primeiro, busco na WEB por tendências “ditadas” por grandes escritórios, laboratórios, consultorias etc., que estudam e vivem disso. A WEB está cheia. Dou alguns exemplos de onde extrair inspiração: 17 ODS da ONU, McKinsey, World Economic Forum, Klab, YCombinator, Delloitte,, Singularity, Sebrae, Google Patents etc., e do meu site preferido, Nasa Spinoff. Depois vou filtrando. Passo do nível que para mim é o mais “viajante” - aquilo que ainda considero ficção científica -, para coisas inesperadas; depois para as desejáveis. Na sequência, busco as esperadas e, por último, as necessárias para a humanidade naquele momento. Traduzindo: algo realizável para o público que quero alcançar. Claro que posso também começar por minha própria solução P2S2 e expandir. Caso você tenha muito gás, nada te impede de começar pela ficção. Pronto: temos uma semente para começar a especular.

Escolhendo uma semente de futuro: da viagem na maionese a algo palpável!


Gerando futuros incrementais


Agora que tenho uma semente, coloco-a no centro do canvas especulativo 9W (janela azul grafada com um “A”) e começo a desenvolver meu futuro controlável. Faça uma análise do que compõe minha semente e coloco na janela “B”; isto constitui o subsistema de minha semente. Depois disso, descrevo onde minha semente se encaixa, depositando esse contexto na janela “C”; essa descrição é o supersistema ao qual minha semente pertencerá. Pronto: a coluna do presente está preenchida!

Canvas especulativo 9W: expandindo uma semente de futuro.